O MAM Rio inaugura no sábado, 18 de abril de 2026, a exposição “Rubem Valentim: a ordem do sensível”, dedicada a um dos artistas mais decisivos da arte brasileira do século 20. Desenvolvida em colaboração com o Museu de Arte Moderna da Bahia, em um diálogo institucional que articula acervos e pesquisas de
ambas as instituições, a mostra reúne cerca de 180 obras provenientes de coleções públicas e privadas de diferentes regiões do país, ocupando o Salão Monumental com um amplo panorama da trajetória de Rubem Valentim (Salvador, 1922 – São Paulo, 1991), cuja produção se desenvolve ao longo de mais de quatro décadas. A curadoria é de Raquel Barreto e Phelipe Rezende.
Reunindo pinturas, relevos e esculturas, a mostra evidencia a amplitude da produção do artista baiano e a consistência de um pensamento que atravessa diferentes suportes com rigor e coerência. Em cada uma dessas frentes, Valentim constrói uma linguagem singular ao articular geometria, cor e sistemas simbólicos oriundos de matrizes culturais brasileiras, sobretudo afro-brasileiras e indígenas. Ao reorganizar esses elementos em composições rigorosas, consolida um vocabulário próprio, no qual forma e significado se tornam indissociáveis, afirmando uma obra que nasce de um contexto específico e se projeta como experiência estética de alcance universal.
“Valentim constrói sua obra como um sistema em permanente elaboração. Há um trabalho de depuração, em que os elementos são reduzidos, reorganizados e estabilizados até atingirem uma estrutura precisa. Esse processo não é apenas formal, envolve ritmo e sentido, e se desenvolve ao longo do tempo por meio de retornos, variações e sínteses sucessivas”, observa Raquel Barreto, curadora-chefe do MAM Rio.
A exposição está organizada em núcleos que correspondem às cidades que marcaram sua trajetória. O percurso tem início em Salvador, onde desenvolve suas primeiras experiências a partir da observação do cotidiano, da cultura material, dos objetos rituais das religiões de matriz africana e da arte moderna europeia. No Rio de Janeiro, para onde se muda em 1957, sua pesquisa ganha rigor construtivo e densidade simbólica, adotando signos como princípios organizadores.
Em Roma, Valentim aprofunda a articulação vertical dos elementos, apontando para uma dimensão totêmica. De volta ao Brasil, fixa-se em Brasília, onde expande sua prática para o campo tridimensional e formula o Alfabeto Kitônico, sistema que sintetiza sua investigação sobre linguagem, cultura e construção. Nos anos finais de sua vida, entre Brasília e São Paulo, amplia seu repertório visual e consolida uma obra de grande potência sintética.
A exposição culmina com a apresentação do Templo de Oxalá, instalação criada em 1977 e exibida originalmente na 14ª Bienal de São Paulo nesse mesmo ano. Composto por estruturas totêmicas dispostas no espaço, o trabalho traduz, em escala ambiental, a linguagem desenvolvida por Valentim ao longo de sua trajetória, instaurando uma experiência imersiva que condensa os principais eixos de sua pesquisa.
A mostra vai até 2 de agosto de 2026. O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro fica na Av. Infante Dom Henrique, 85 – Aterro do Flamengo. Visitação: quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h. Aos domingos, das 10h às 11h, visitação exclusiva para pessoas com deficiência intelectual. A entrada é gratuita.